ORAÇÃO
Portões Torii
Torii não é apenas um marco. É uma barreira que separa o mundo secular (vida cotidiana) e o reino sagrado (área sagrada), e é uma mudança espiritual.
Quando passamos pelo portão torii, endireitamos nossas roupas, nos curvamos uma vez e caminhamos ao longo da borda do acesso. Embora seja uma saudação, também serve como uma mudança espiritual para deixar para trás títulos sociais e distrações e entrar no jardim de Deus como uma alma nua.
A razão pela qual caminhamos ao longo das bordas do acesso ao santuário, e não no centro, decorre do nosso respeito pelo espaço em que o centro é o caminho para os deuses.


O espelho
O que está consagrado atrás da porta do santuário principal, na parte mais interna do santuário, não é uma estátua ou ídolo brilhante de Buda, mas muitas vezes um único espelho. Em vez de verem a imagem de Deus, os adoradores enfrentam o seu próprio reflexo no espelho.
Isto expressa a essência do Xintoísmo: “Deus não reside no céu distante, mas reside em seu coração”. Como o jogo de palavras sugere, se você remover o “ga (ego)” da palavra japonesa “kagami” (espelho), ele se torna “kami” (deus), e os santuários são lugares onde as pessoas podem abandonar seu egoísmo na frente de um espelho e recuperar seu eu puro (divindade).
OTENTOSAMA
Mesmo fora dos santuários, existem crenças que sustentam a disciplina do povo japonês. Isso é "Otendo-sama (O Sol)". Desde tenra idade, os japoneses aprendem estritamente: “Mesmo que ninguém esteja olhando, Otendo-sama está observando!” Você pode enganar os humanos e a lei, mas não pode enganar o sol (o deus da natureza) no céu. Este ensinamento cria uma câmera de vigilância interna no coração de cada japonês. Somente em um lugar onde você não precisa se preocupar com os olhos de ninguém é que você age de maneira consistente com sua consciência.
Esta mentalidade de “estar certo quando ninguém está olhando” pode ser a raiz da segurança pública do Japão, onde as carteiras são entregues nas guaritas policiais e há relativamente poucos tumultos, mesmo durante desastres.


Juventude Eterna
Uma vez a cada 20 anos, o Grande Santuário de Ise renova seu edifício principal e realiza uma cerimônia “Shikinen Sengu” para homenagear a divindade. Esta é a oração de Tokowaka, que busca manter a santidade para sempre, mantendo o espaço limpo e fresco. Em contraste com o Ocidente, que tenta preservar os “materiais” para sempre, o Japão utiliza deliberadamente madeira perecível e reconstrói edifícios regularmente, garantindo assim que as “habilidades” e o “espírito” dos carpinteiros de santuários sejam transmitidos à próxima geração em perfeita forma. Os edifícios são sempre novos, mas a sua essência permanece a mesma desde tempos imemoriais. A madeira desmontada não é jogada fora, mas é “reaproveitada” em santuários de todo o país. Pode-se dizer que é a sabedoria que tece a eternidade ao fazer circular oração, tecnologia, recursos e tudo mais.
O IMPERADOR
A Família Imperial Japonesa é a família real mais antiga existente no mundo. Diz-se que é um “milagre” na história da humanidade que uma linhagem familiar tenha continuado sem exceção por 126 gerações e mais de 2.000 anos, desde a era dos mitos até os dias atuais. A essência do nosso trabalho não é governar pela força, mas sim “orar” a Deus como descendentes de Amaterasu Omikami pela paz e boa colheita do povo.
Embora as pessoas no poder tenham mudado, o Japão permaneceu indiviso por mais de 2.000 anos porque o Imperador permaneceu o mesmo que a pessoa a quem rezamos. Sua própria existência faz parte da própria história japonesa.
